QUINTA DE PORTO FRANCO - Um terroir histórico

Quinta Porto Franco

Quinta Porto Franco

Uma longa alameda de plátanos conduz à entrada principal de Porto Franco, um edifício baixo e comprido com a traça típica das tradicionais casas agrícolas de Alenquer.

A propriedade entra para a família através do seu bisavô que a compra ao visconde de Chanceleiros, par do Reino, governador civil de Lisboa e ministro das Obras Públicas do rei Dom Luís. Figura histórica da viticultura portuguesa, Sebastião José de Carvalho, o 1.º visconde de Chanceleiros, ficou conhecido pelas inovadoras técnicas agrícolas que utilizava, pois teve a ousadia de replantar com bacelos americanos as vinhas dizimadas pela filoxera.

Passados dois séculos, Porto Franco transformou-se no assento de lavoura de um núcleo de propriedades compradas e herdadas pelo seu pai e hoje pertencentes à Rui Abreu Correia, Herdeiros.

Em redor dos terreiros e dos pátios que circundam a casa, manchas de diferentes cores pincelam a paisagem: Alfrocheiro de um lado, Moscatel do outro, uma vinha nova de Alicante Bouschet mais à frente e, à esquerda, Syrah, uma vinha que deu 14 toneladas por hectare logo no segundo ano de plantio.

Aliás, uma das preocupações constantes de José Neiva Correia é conseguir incrementar a taxa de produção das suas vinhas, mas sem diminuir a qualidade das uvas. Muito pelo contrário: à semelhança do que é feito na Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de vinho que destabilizou os mercados com os seus vinhos novos a preços mais baixos, este enólogo tem procurado acelerar o ciclo produtivo das plantas, de forma a conseguir uma exploração competitiva que assegure a melhor qualidade ao mais baixo custo.

Veja-se o caso de dez hectares de Caladoc (uma casta que introduziu em Portugal e que resulta do cruzamento entre Grenache e Malbec) plantados na Primavera de 2007, mas que estão já em franca produção quando o tempo médio seria de três a cinco anos. Basta provar os vinhos Grand´Arte Caladoc, DFJ Caladoc & Alicante Bouschet, Alta Corte e Paxis Estremadura para perceber que esta é uma das muitas experiências bem-sucedidas de José Neiva Correia.

Mas há outras. Nos 200 hectares de vinhas totalmente reconvertidas (não tem uma única vinha velha, só vinhas novas), José Neiva, fiel ao seu espírito inovador, introduziu novas castas, algumas das quais impensáveis para esta região, mas que já dão corpo e fama a vários dos varietais e bivarietais que são a imagem de marca da DFJ Vinhos.

É o caso do Grand´Arte Alvarinho, produzido fora da região dos vinhos verdes, ou do Grand´Arte Pinot Noir, uma casta francesa difícil de ser trabalhada mas que responde por vinhos míticos como o Grand Cru Romanée Conti. E também do Merlot, casta única no Châteaux Petrus, igualmente inédita em terras de Alenquer e que deu origem aos muito apreciados Grand’Arte Merlot e DFJ Tinta Roriz & Merlot.

Um pouco mais à frente, do outro lado da casa, a velha adega que ainda hoje ostenta as armas da família Lobo Garcez Palha (século XVIII), tem vindo a ser restaurada e adaptada aos tempos modernos: os depósitos são revestidos a fibra de vidro e epoxi, os postigos e as bocas foram substituídos por inox e os filtros de vácuo para os brancos e rosés asseguram mostos isentos de substâncias sólidas em suspensão. Apenas meia hora separa a apanha da uva, toda feita à máquina, e a respectiva entrada na adega para dar início ao desengace, esmagamento e subsequente processo de vinificação.

Só as pequenas parcelas destinadas aos topo de gama Francos e Francos Reserva é que são colhidas à mão, sendo cada cacho cuidadosamente seleccionado.