O ENÓLOGO JOSÉ NEIVA CORREIA
Nasceu e cresceu em terra de vinhos e vinhedos naquela que muitos historiadores consideram ser uma das propriedades mais antigas do concelho de Alenquer e cuja origem é anterior à nacionalidade – a Quinta de Porto Franco. É a este terroir de excelência que José Neiva Correia, 59 anos, um dos enólogos que mais vinhos assinou em Portugal, vai buscar grande parte da matéria-prima para produzir as melhores colheitas da DFJ Vinhos, a empresa que fundou há uma década e que hoje é responsável por uma produção média anual de seis milhões de garrafas, 33 marcas e 77 vinhos diferentes, oriundos de todas as regiões portuguesas, do Douro ao Algarve, exceptuando a dos Vinhos Verdes.
Descendente de várias gerações de vitivinicultores, tanto do lado do pai, como da mãe, José Neiva Correia seguiu a tradição familiar com gosto e profissionalismo. Quem bem o conhece ou com ele trabalha gaba-lhe a criatividade e o entusiasmo com que assina cada um dos seus muitos e variados vinhos, em que mistura castas improváveis com resultados surpreendentes. Sejam topos de gama a preços superiores e com tiragens reduzidas ou maiores volumes destinados a satisfazer os grandes mercados internacionais, a exigência pela qualidade do produto final é, convictamente, a mesma, sem qualquer pretensão. Há que saber fazer, muito bem e de tudo.
Como enólogo, tem vindo a desenvolver um trabalho pioneiro na implantação de novas castas em Portugal, a promover uma agricultura mais amiga do ambiente e, inclusivamente, a procurar encontrar soluções para um dos grandes problemas com que se debate o sector vinícola: a correcta vedação das garrafas com rolhas de cortiça.
Rigoroso e dado à investigação, chegou a desenvolver e patentear um método de desinfecção das rolhas através do ozono (que acabou por vender ao Grupo Amorim) e que contribui para a diminuição do teor do famigerado TCA (o composto Tricloroanisol causador do chamado “cheiro a rolha”), o maior inimigo dos enólogos.
Sendo o sexto de oito filhos, José Neiva Correia ainda hoje possui, juntamente com os irmãos, a Rui Abreu Correia, Herdeiros, uma das maiores casas agrícolas da Estremadura que, entre várias outras culturas, é também detentora de 200 hectares de vinha distribuídos pelos concelhos de Alenquer e de Torres Vedras.
QUINTA DE PORTO FRANCO - Um terroir histórico
Uma longa alameda de plátanos conduz à entrada principal de Porto Franco, um edifício baixo e comprido com a traça típica das tradicionais casas agrícolas de Alenquer.
A propriedade entra para a família através do seu bisavô que a compra ao visconde de Chanceleiros, par do Reino, governador civil de Lisboa e ministro das Obras Públicas do rei Dom Luís. Figura histórica da viticultura portuguesa, Sebastião José de Carvalho, o 1.º visconde de Chanceleiros, ficou conhecido pelas inovadoras técnicas agrícolas que utilizava, pois teve a ousadia de replantar com bacelos americanos as vinhas dizimadas pela filoxera.
Passados dois séculos, Porto Franco transformou-se no assento de lavoura de um núcleo de propriedades compradas e herdadas pelo seu pai e hoje pertencentes à Rui Abreu Correia, Herdeiros.
Em redor dos terreiros e dos pátios que circundam a casa, manchas de diferentes cores pincelam a paisagem: Alfrocheiro de um lado, Moscatel do outro, uma vinha nova de Alicante Bouschet mais à frente e, à esquerda, Syrah, uma vinha que deu 14 toneladas por hectare logo no segundo ano de plantio.
Aliás, uma das preocupações constantes de José Neiva Correia é conseguir incrementar a taxa de produção das suas vinhas, mas sem diminuir a qualidade das uvas. Muito pelo contrário: à semelhança do que é feito na Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de vinho que destabilizou os mercados com os seus vinhos novos a preços mais baixos, este enólogo tem procurado acelerar o ciclo produtivo das plantas, de forma a conseguir uma exploração competitiva que assegure a melhor qualidade ao mais baixo custo.
Veja-se o caso de dez hectares de Caladoc (uma casta que introduziu em Portugal e que resulta do cruzamento entre Grenache e Malbec) plantados na Primavera de 2007, mas que estão já em franca produção quando o tempo médio seria de três a cinco anos. Basta provar os vinhos Grand´Arte Caladoc, DFJ Caladoc & Alicante Bouschet, Alta Corte e Paxis Estremadura para perceber que esta é uma das muitas experiências bem-sucedidas de José Neiva Correia.
Mas há outras. Nos 200 hectares de vinhas totalmente reconvertidas (não tem uma única vinha velha, só vinhas novas), José Neiva, fiel ao seu espírito inovador, introduziu novas castas, algumas das quais impensáveis para esta região, mas que já dão corpo e fama a vários dos varietais e bivarietais que são a imagem de marca da DFJ Vinhos.
É o caso do Grand´Arte Alvarinho, produzido fora da região dos vinhos verdes, ou do Grand´Arte Pinot Noir, uma casta francesa difícil de ser trabalhada mas que responde por vinhos míticos como o Grand Cru Romanée Conti. E também do Merlot, casta única no Châteaux Petrus, igualmente inédita em terras de Alenquer e que deu origem aos muito apreciados Grand’Arte Merlot e DFJ Tinta Roriz & Merlot.
Um pouco mais à frente, do outro lado da casa, a velha adega que ainda hoje ostenta as armas da família Lobo Garcez Palha (século XVIII), tem vindo a ser restaurada e adaptada aos tempos modernos: os depósitos são revestidos a fibra de vidro e epoxi, os postigos e as bocas foram substituídos por inox e os filtros de vácuo para os brancos e rosés asseguram mostos isentos de substâncias sólidas em suspensão. Apenas meia hora separa a apanha da uva, toda feita à máquina, e a respectiva entrada na adega para dar início ao desengace, esmagamento e subsequente processo de vinificação.
Só as pequenas parcelas destinadas aos topo de gama Francos e Francos Reserva é que são colhidas à mão, sendo cada cacho cuidadosamente seleccionado.
QUINTA DA FONTE BELA - Tradição em grande escala
Engenheiro técnico agrário de formação, José Neiva Correia começou por estagiar no Centro Nacional de Estudos Vinícolas realizando, posteriormente, etapas de aperfeiçoamento em Bordéus, França, e na Alemanha (Gasenheim).
Em 1998, era já um enólogo de renome em Portugal, trabalhando como consultor para várias empresas, uma das quais a D&F Wine Shippers, nesse tempo a maior importadora de vinhos portugueses no Reino Unido, quando decidiu associar-se aos seus donos. Ao “D” de Dino Ventura e ao “F” de Fausto Ferraz, juntou o “J” de José e nasceu a DFJ Vinhos. Mas, em 2005, tornou-se o seu único proprietário pois, com a morte de um dos sócios, optou por comprar a totalidade do capital da empresa.
Sediada entre o Vale de Santarém e Valada, a pouco mais de meia hora de Lisboa, a DFJ Vinhos ocupa aquela que já foi uma das mais célebres e vastas propriedades da zona sul do País, a Quinta da Fonte Bela. Um conjunto de construções em pedra, imponentes e de traço insólito para a região, uma mistura de arquitectura francesa de châteaux onde não falta a telha de Marselha, com resquícios de arquitectura industrial, a julgar pela impressionante chaminé da destilaria que se avista a muitos quilómetros de distância. Era aqui que António Francisco Ribeiro Ferreira, um dos maiores latifundiários de Portugal, produzia, em finais do século XIX, aguardente vínica destinada à produção de vinho do Porto.
Pouco a pouco, José Neiva Correia tem vindo a recuperar as várias instalações da quinta, nove pavilhões no total (cerca de 8000 metros quadrados de área coberta) entre armazéns, destilaria e a imensa adega em utilização com mais de vinte metros de pé-direito e cubas com capacidade para 2,5 milhões de litros, bem como uma outra, desactivada, mas que é considerada a maior adega de tonéis de madeira do País, hoje utilizada para estágio do vinho em meias pipas de carvalho-francês, português e americano. E ainda uma tanoaria onde se fazem os restauros das barricas, o laboratório onde cria e prova todos os vinhos da empresa, bem como a central de engarrafamento com uma capacidade de 3000 garrafas por hora.
DFJ VINHOS - Uma década a prosperar
Em 2008, passados dez anos sobre a sua fundação, a DFJ Vinhos orgulha-se do caminho percorrido: tornou-se a empresa portuguesa detentora de uma das maiores quotas do mercado inglês, o equivalente a um milhão e meio de garrafas exportadas anualmente.
Em apenas uma década, conseguiu impor-se num sector global e cada vez mais concorrencial, já que exporta 90% da sua produção, o equivalente a 5,4 milhões de garrafas, a grande maioria marcas dirigidas a um segmento médio e de preço muito competitivo.
O regional Estremadura Ramada, uma marca entretanto cedida, foi líder no mercado inglês.
Outros tintos da mesma região, como o Portada, o Coreto e o Manta Preta, são já referências com tradição nos mercados escandinavos, representando 15% do volume exportado. Os monopólios estatais do Canadá absorvem outros 10% do total de vinhos regionais da Estremadura e Terras do Sado. E, em menor escala, a DFJ está também presente quer nos EUA, na Rússia, na Índia e no Brasil, quer em diversos outros países espalhados pelos cinco continentes continentes: Comunidade Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Irlanda, Itália e Luxemburgo), Europa de Leste (Polónia, República Checa, Eslováquia, Bulgária), África (São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), Novo Mundo (Austrália e Nova Zelândia) e Oriente (China, Japão, Singapura e Tailândia).
Internacionalização, volume e diversificação da oferta (só não produz vinhos verdes e vinhos fortificados), são as palavras de ordem de uma empresa cujo objectivo prioritário é obter a melhor relação qualidade/preço em cada um dos seus produtos, de forma a manter os seus clientes sempre satisfeitos.
Uma aposta que se tem revelado acertada, a julgar pela presença crescente nos diferentes mercados mundiais, inclusivamente o nacional, e pelos muitos prémios alcançados, sobretudo fora de Portugal: mais de 80 atribuídos pelo consagrado Internacional Wine Challenge (IWC), entre os quais dois Red Wine of the Year.
Curiosamente, e apesar da dimensão da sua produção média anual – seis milhões de garrafas –, a DFJ não tem vinhas, apenas vinifica, indo buscar a matéria-prima às parcerias estabelecidas com vários viticultores do País.
A maior parceria da DFJ é com a empresa da família do Eng. José Neiva Correia a Rui Abreu Correia e Herdeiros, que possui na região de Lisboa em diversas quintas, 200 ha de vinhas em produção. A quinta de Porto Franco é a mais importante, pela sua dimensão, porque aí se encontra o centro de vinificação para mais de 2 milhões de litros, e porque foi onde José Neiva Correia nasceu.
Tanto o Coreto como o Portada – os dois vinhos com o preço mais baixo – representam 20% da produção total da empresa. Por fim, a este vasto portefólio acresce ainda os rosés – Pink Elephant, Coreto, Casa do Lago e Grand´Arte – “cada vez mais na moda” e, já com um posicionamento superior, brancos e tintos da gama alta: Grand´Arte e os premiums DOCs de Alenquer, Ribatejo e Douro, e os Icon Consensus e Francos Reserva.
ENOLOGIA & INOVAÇÃO
À escolha criteriosa das castas a plantar nas diversas quintas da Rui Abreu Correia, Herdeiros, José Neiva Correia acrescenta uma agricultura esmerada, onde não há lugar para produtos químicos nos seus solos, mas apenas para matéria orgânica da melhor qualidade e para porta-enxertos cuidadosamente seleccionados em função das terras, das castas, dos clones e do vinho que se quer produzir.
Recentemente, este enólogo realizou mais uma experiência, sempre com o mesmo entusiasmo e espírito de inovação que tão bem o caracterizam: no concelho de Torres Vedras plantou um hectare e meio de Dorn Felder, uma casta alemã praticamente desconhecida em Portugal e do grande público, de maturação precoce e grande resistência à influência atlântica, mas que dá vinhos com muita cor e muita fruta, mesmo ao gosto dos consumidores. Os resultados foram tão satisfatórios que já planeia lançar um varietal logo que a regulamentação o permita. Resta-nos esperar para provar.
QUINTA DO ROCIO
O Quinta do Rocio é um projecto inédito que resultou de uma parceria entre a DFJ Vinhos e o Sr. Tomás Sanches da Gama, proprietário de uma das mais belas e nobres propriedades de Alenquer, e que faz estrema com a Quinta de Porto Franco.
A Quinta do Rocio fica em Alenquer, na região vitivinícola agora denominada de Lisboa. O plantio das suas primeiras vinhas remonta a 1503, quando o navegador Pedro Álvares Cabral adquire a propriedade, que depois passou por várias famílias, até que em 1939 foi comprada por Tomás Sanches da Gama, o pai do actual proprietário.
A tradição vitivinícola da Quinta do Rocio está indiscutivelmente ligada à personalidade de Sebastião José de Carvalho, Visconde de Chanceleiros. Grande viticultor do seu tempo, conhecido pelas inovadoras técnicas agrícolas que utilizava, teve a ousadia de replantar com bacelos americanos as suas vinhas dizimadas pela filoxera, ganhando assim um lugar na história da viticultura portuguesa. Diz-se “que empobreceu salvando as suas vinhas” e, com o seu exemplo, as vinhas dos outros.
Hoje a Quinta do Rocio conhecida pela “Sintra de Alenquer”, em virtude da sua mata exuberante, continua a sua tradição de grande terroir vinícola através da vontade e do querer de Tomás Sanches da Gama, que a gere desde os 17 anos.
A Quinta do Rocio (escrita desta forma a palavra significa orvalho) tem 15 hectares de vinhas, onde são cultivadas as castas Syrah, Merlot, Touriga Nacional e Grenache. Na Quinta existe ainda o laboratório e a velha adega do tempo do Visconde de Chanceleiros, agora totalmente modernizados. A adega está equipada e tem capacidade para 350 mil litros.
Os Quinta do Rocio têm a assinatura dos enólogos José Neiva Correia e Lisete Lucas, que aceitaram o desafio lançado por Tomás Sanches da Gama: produzir, a partir de um terroir histórico e de grande qualidade, um vinho cuja filosofia reflectisse uma interpretação contemporânea da tradição.
QUINTA DO ROCIO 2006
Apresentado aos jornalistas na própria Quinta em 6 de Dezembro de 2007, do Quinta do Rocio de 2006 foram produzidas 5786 garrafas que resultam de um lote invulgar das castas Shiraz, Merlot, Touriga Nacional e Grenache (cada uma entra no lote em 25%), tendo estagiado em barricas novas francesas da Seguin Moreau durante 9 meses, e 12 meses em garrafa antes de seguir para o consumidor.
Para saber mais sobre o Quinta do Rocio 2006 siga este link para a ficha técnica:
http://www.dfjvinhos.com/pt/page/vinhos/segmento/132
QUINTA DO ROCIO 2007
Apresentado aos jornalistas, em Lisboa, na York House, em 7 de Setembro de 2009, do Quinta do Rocio de 2007 foram produzidas 6974 garrafas (cheias em 24 de Setembro de 2008), a partir do mesmo lote usado na colheita de 2006 (25% Shiraz, 25% Merlot, 25% Touriga Nacional e 25% Grenache), tendo estagiado em barricas novas francesas da Seguin Moreau durante 12 meses, e 12 meses em garrafa antes de seguir para o consumidor.
Para saber mais sobre o Quinta do Rocio 2007 siga este link para a ficha técnica:
http://www.dfjvinhos.com/pt/page/vinhos/segmento/60